sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Micão? Quem nunca?

48- DESTE, EU ESCAPEI

"Mais uma foto muito boa do Memorial da América Latina pegando fogo". Com este texto postado nas redes sociais, uma emissora de TV deu mostras que na busca da audiência (literalmente, "no calor" dos fatos) fica fácil pagar mico. Tomou uma trollada da Dilma Bolada que acrescentou ao tweet apenas: "Achei muito péssimo". Dai teve a tréplica indignada do dono da emissora, talvez entendendo que a crítica veio diretamente da Presidente. Ok, neste caso, o mico já virou um baita King Kong.
Eu também quase fui vítima de uma "armação" destas. Há uns 10 anos, era professor de faculdade e um de meus alunos trabalhava na produção de programas da tal emissora do Bispo. Um dia ele me fez um convite: queria que eu atuasse como ator em uma "dramatização". Não entendi e, por precaução, quis saber exatamente do que se tratava. Ele explicou. São estes programas religiosos que passam na TV. Nós precisamos de alguém como o Sr, um homem sério, de meia idade, casado, pai de família...para a tal "dramatização".
Em resumo, o enredo era bem simples. Até demais. Eu seria o tal pai de família, homem de bem, que por culpa de uma vizinha bonita, jovem e gostosa, cai em tentação carnal. A minha vida vai pro buraco (hehehehe), meu casamento acaba vou a falência, etc...me arrependo, aceito Jesus, entro para a Igreja, recupero meus bens materiais, fico feliz e dou meu santificado depoimento para algum pastor aumentar seu rebanho de fiéis (que lógico, acreditarão que aquela "dramatização" era verídica, e eu, um idiota).
Educadamente, expliquei que não sou ator. Já dirigi comerciais de tv, fico mais à vontade atrás das câmeras e não na frente delas. Ao que ele deu o argumento final: "Mas eles pagam bem, e à vista". Claro, e quem iria pagar o King Kong era eu, né? Fico só imaginando o bullying que sofreria em todos os lugares que eu estivesse: -"Olha lá o otário que dançou por causa da vizinha periguete". Sim. Certas coisas, não tem preço. Grandes micos, por exemplo. Deus nos livre. Não, péra...

terça-feira, 26 de novembro de 2013

O TIJUCA

47- O HERÓI CAIPIRA

São infundados os boatos de que a Lagoa Rodrigo de Freitas seria de meu avô ou bisavô. Também não faço referência aqui a nenhum bairro carioca.
A origem da maior parte de minha família é das proximidades do Rio Grande, divisa de São Paulo e Minas Gerais. Tenho parentes dos dois lados deste rio. Só uma prima que recentemente mudou-se para o Rio, ok? Favor não confundir.
Mas, tinha um tio de meu pai que era muito especial, o Tio Juca. Ele morava um pouco mais longe, já em Goiás. Acho que ele foi a pessoa mais engraçada que  conheci. Caipirão, chapéu de palha e o cigarrinho idem sempre por perto. Pescador, caçador, ou seja, um grande contador de causos (mentiroso, se preferirem).
A melhor história dele foi quando numa caçada ou pescaria,  foi surpreendido por uma onça. Ele contava em detalhes e o povo em volta se empolgava. Com o interesse dos ouvintes, ele ia espichando a prosa. A situação, em resumo era esta: o único jeito de escapar da onça era passar por uma pinguela sobre um enorme penhasco. A onça ficou na espreita. Ele olhava para baixo e quase não via o chão. Olhava para trás e lá estava a onça. Mas, quando ele estava quase chegando do outro lado, eis que tem outra onça o aguardando. A galera vai ao delírio. "E ai, Tio Juca? O que aconteceu?". Ele para, pensa, coça a cabeça, percebe que foi longe demais na mentira e entrega os pontos: "-Ah, ai a onça me comeu". E antes que alguém protestasse, ele caia na gargalhada. E lá vinha outra história...rs. Aprendi isso com ele.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Memórias não póstumas

46-O OBRAHMA TUDO SABE

Em tempos de falta de privacidade nas redes sociais, tudo que você disser poderá ser usado contra você nos tribunais. Não é a toa que o termo "facebook" está presente na maioria dos processos de divórcio nos EUA. Sem contar com a bisbilhotice do o Brahma, né?
Ainda adolescente, descobri em casa a coleção completa do Machado de Assis. O cara era genial. Em pleno Séc. 19, nas Memórias Póstumas de Brás Cubas, tinha um capítulo em branco, onde ele só dizia: sobre isso não falo. Porque que ele iria, em suas memórias se comprometer, né? Sábio Machado.
Nas narrativas de memórias, os tempos se alternam, pois as lembranças não obedecem necessariamente a ordem dos fatos. Assim, quando me separei, separava os livros e CDs, e claro, não ia esquecer a coleção do Machado, herdada de meu pai. Mas meu filho, com seus oito ou dez anos na época, questionou: "E você vai me deixar sem minha biblioteca?". Assim, tive que me separar também destes livros. A argumentação do moleque me desmontou.
Mas, antes disso, tenho outras boas recordações ainda mais jovem. Uma situação inusitada aconteceu, em parte,  por caminhos tortuosos da inflação da época. Em resumo, acabei por dividir um apartamento com uma ex-namorada e sua irmã mais nova. A minha namorada (a atual, da época) não gostou nada da história. Isso foi indo, até que um dia, ela apelou e explodiu sobre a situação: "É. Acho que você precisa arrumar uma mulher mais burra do que eu". Diante do impasse, eu a abracei e soltei a pérola: "Precisa não, amor. Estou satisfeito".  Enquanto ela protestava e me xingava de tudo que é nome,  eu ria sem parar. Sobre as acusações,  não entro em maiores detalhes. Aprendi com o Assis. Até porque,  um machado nesta hora poderia ser letal, né? (E claro, estas memórias, hoje, seriam póstumas).

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Brasileiro, sim.

45-ANDEI POR ESTE PAÍS

Brasília é muito Brasil. Só aqui em uma quadra (não esquina, porque não as temos) de um lado encontramos uma galeteria gaúcha, ao lado de doces mineiros, em frente a uma pizza em pedaços com mate tipicamente cariocas, ao lado de um restaurante com carne de sol nordestina. Aqui convivem goianos, mineiros, cariocas, gaúchos, bahianos, paulistas e todos os brasileiros.
Temos aqui todas as misturas, os contrastes, as diferenças.
Pois bem, acabo de chegar de uma viagem com minha esposa, onde passamos uma semana em Recife, Olinda e Porto de Galinhas. Eu nunca tinha ido ao Nordeste. Dizia que morria de medo de ir a Bahia e não voltar mais...a tentação de ficar por lá seria grande...rs. Com esta viagem, posso dizer que já fui nas 5 regiões do Brasil. Sim, faltava o Nordeste.
Porto Alegre, Gramado, Paraty, Congonhas, Mariana, Ouro Preto, Goiás Velho, Itanhaém, Pires do Rio, Liberdade, Cavalcanti, Campos Belos, Alto Paraíso, Marechal Floriano, Venda Nova do Migrante, Domingos Martins... estive em todas estas cidades (e várias outras). Em algumas delas, fui de moto (sempre as melhores viagens). Não. Nunca fui à Disney ou a Miami. Aliás, acho shopping centers um saco. Falta vida, cor, diversidade, alegria.
Enfim, um paulista do interior, filho de mineiros, hoje candango, casado com uma goiana, filha de mineiro com nordestina. Muito prazer. Sou brasileiro, com muito orgulho.

domingo, 27 de outubro de 2013

Culpa do Lula

44-MARQUETINGUE-FAIL

Minha esposa diz que é ótimo me levar para fazer compras, porque sempre "desmonto os argumentos do marketing" e ela acaba deixando de consumir e economizando. Coisas de quem atua na área há muitos anos. Estudando o assunto, o marketing moderno surgiu nos EUA com a industrialização e precisava "romper" com os "antigos e rígidos valores" da religião protestante, desbancando o "eterno" pela "moda, descartável". Assim, mais importante do que o "ser" se tornava o "ter".
Hoje, passado um século, embora muitos até acreditem que não existe mais direita e esquerda, uns se preocupam em garantir "exclusividades e privilégios" enquanto outros buscam "diminuir as diferenças sociais e permitir o acesso aos antes excluídos". Somente isso mostra que direita e esquerda continuam a existir, sim. Em 2010, na época das eleições, ouvi de um amigo (de direita) a reclamação de que "agora qualquer um pode ter uma moto igual a minha". Respondi a ele que "a culpa era do Lula". Pois só após o seu governo eu, se desejasse, poderia comprar uma Harley Davidson 0 Km, à vista. Coisa que nunca antes conseguiria. Mas, preferi construir minha casa, juntando as economias que tinha e vendendo 2 motos para terminar a obra (sem dívidas). Poderia ter sido mais irônico, concordado com ele e até sugerindo que se exigisse "árvore genealógica da família" antes de se vender bens que conferiam maiores status. Ou vamos permitir que "qualquer um tenha o que temos?". Fiquei com receio que ele achasse razoável minha ideia...kkkk
Na prática, gastei em minha casa o equivalente a umas 3 Harley Davidson. Hoje ando com uma moto que não dá tanto status, uma simples Fazer, de 250 cilindradas (fotinha à direita), mas dizem que minha casa hoje vale, no mínimo, umas 10 Harleys.
Para os não apaixonados por motos, que só veem duas vermelhinhas de duas rodas nas fotos, a história fica ainda mais sem sentido, né? A diferença é que a Fazer está na minha garagem, na casa que eu construí, com estes simpáticos tijolinhos. O contrário eu vi uma vez em um filme italiano, com um cara que se vestia com ternos caros, tinha um carrão importado, mas escondia que morava em um barraquinho na favela, pois o importante "eram as aparências". Gente maluca. A culpa deve ser do Lula (lógico), que hoje faz aniversário. Parabéns ao Cara que mudou este país para melhor.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Intercâmbio Cultural

43-FOR EXPORT

Eu trabalhava no escritório do DF da maior agência de publicidade do país. Tinha um faxineiro engraçado, que o pessoal chamava de Beto Fuscão (Nome de um jogador de futebol daquela época). Carioca, cheio de marra, gente boa. Um belo dia, perto do Natal, eis que o Fuscão me diz que iria me dar um presente, porque "me considerava". Agradeci, sem saber do que se tratava. Pois bem, ele me aparece com um livro belíssimo, edição capa dura, papel couché, bilingue, que contava a história do carnaval, com maravilhosas ilustrações do Lan. Esta da foto era uma das que me lembro. Dai, descobri que ele era "da comunidade da Mangueira", por isso tinha ganho alguns exemplares.
Passados algum tempo e tive a oportunidade de conhecer John Algeo, um norte-americano que veio fazer algumas palestras aqui na Sociedade Teosófica. Descobri que ele gostava do taoismo. Conversamos muito, apesar do meu inglês não ser lá grandes coisas. Ele, ao contrário, era professor universitário de inglês. Tinha uma pronúncia perfeita, que acho que até quem não sabia falar inglês o entendia. Durante uma semana mostrou artes impregnadas de espiritualidade. Kandinsky era um deles.
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Ao me despedir do meu novo amigo americano, dei a ele o livro sobre Carnaval que o Beto Fuscão tinha me dado. Comentei: "Obrigado pelo conhecimento que nos trouxe e leve para o seu país um pouco da nossa arte e cultura". Ele se emocionou ao ver o livro na língua dele e com tão belas ilustrações.
Nunca mais encontrei o Beto Fuscão. Acho que ele entenderia que passar adiante seu livro, não era desfeita, mas sim uma homenagem a nossa gente simples e alegre, né?

domingo, 20 de outubro de 2013

Ok, Ulisses. Você pode.

42-OITENTINHA

Ontem fui na comemoração dos 80 anos do Ulisses Riedel.  Amigos, familiares, autoridades como o Ministro do STF Ayres Britto e Cristovam Buarque, todos estavam lá para homenagear o aniversariante.
Visionário, amoroso, altruísta, batalhador das causas sociais ou em defesa dos trabalhadores eram os termos mais citados sobre ele. Sua história é muito bonita. Advogado trabalhista bem sucedido, teve atuação destacada também no campo espiritual. Foi 3 vezes presidente Nacional da Sociedade Teosófica, onde, há quase 30 anos o conheci. Lá criou a Editora Teosófica e o Instituto Teosófico, que ajuda a preservar a cachoeira de Mumunhas. Fundador do DIAP, o Departamento Intersindical de Apoio Parlamentar, participou ativamente da elaboração da Constituição de 88, inclusive dando o texto final de alguns de seus artigos, que citam os trabalhadores e funcionários públicos. Esteve presente na Fundação do PT. Ajudou a eleição de Cristovam Buarque para o governo do Distrito Federal e foi Senador pelo PT/DF, ao substituir Lauro Campos, no final de seu mandato.
É presidente da União Planetária (fundada há 16 anos), que atua hoje na difusão de valores morais, humanísticos, educacionais e espirituais por meio da TV Supren.
Ao ver esta foto que minha esposa tirou de nós dois juntos, ainda brincou: "Quem é o velhinho da foto?". Ok, Ulisses, mais que seu amigo, sou seu fã. E assim, por tudo que você já fez, beneficiando e inspirando milhões de brasileiros, quem me dera chegar aos 80tinha com tanta vitalidade e bom humor. Tive que reconhecer que "o velhinho da foto" era o de cabelo e barba brancos, ou seja, eu.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Minha Ciência virou casa

41-DECISÕES E INTUIÇÕES

Estive professor por uns 10 anos. Não acho que tenho o “perfil acadêmico”, me via muito mais como um profissional da área que dava aulas, não alguém que segue a carreira acadêmica, ao contrário de minha esposa, que está cursando o Doutorado. Em 2010, após 6 anos como professor universitário em uma faculdade particular, me demitiram porque não tinha Mestrado. Eles buscavam um corpo docente mais qualificado para melhor avaliação do curso junto ao MEC. Dizem, as más línguas, que após a avaliação, eles demitem os mestres e doutores, para diminuir custos. Mas, isso é outra história.
Neste momento, eu ia começar a fazer Mestrado em Ciência Política, meu pré-projeto já tinha sido aprovado. Mas, demitido, desisti, resolvi não ter este custo. Gastaria o equivalente a um carro zero para pagar o mestrado. Minha indenização trabalhista também alcançava o valor de um carro. Teoricamente, empate.
Decidi que não valia a pena. Um ciclo se encerrava ali. Este dinheiro do FGTS foi o início das economias para a construção de nossa casa, iniciada no ano seguinte e onde já moramos desde janeiro de 2012, saindo do aluguel.
No fim das contas, o que pagava de aluguel e condomínio na Asa Sul, era quase que o salário de professor na faculdade. A diferença é que agora moramos no que é nosso, numa região dizem ser a “bola da vez” da especulação imobiliária no DF.  Cada real gasto na construção da casa, hoje vale no mínimo três. A tendência é que valorize mais.
Assim, troquei a “Ciência Política” pela “Casa Ecológica”. Ela, a “Casa Ecológica”, me rendeu assunto para um blog que alcançou mais de 16 mil acessos. E como “blogueiro progressista” tenho bem claras minhas posições ideológicas e políticas. A diferença é que a gente faz a política na prática, não na teoria.

Acho que sigo minhas intuições. Elas resultam nestas  “pequenas diferenças”. Até hoje, não me decepcionaram.  Sobre a política, especialmente a do DF, não posso dizer o mesmo...rs.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Brasiliensessauro

40-RELATO DE UM DINO

Uma vez eu lia  livro sobre  Brasília e encontrei um trecho que me pareceu "familiar". Observei com mais atenção e reconheci que era um antigo texto meu, feito para uma peça publicitária do GDF, que, agora, estava incorporado nos livros de história da cidade (não me consultaram, nem citaram fonte, nem me remuneraram por isso...tsc,tsc,tsc). Lembrei-me de um outro episódio, logo que comecei a trabalhar, quando fiz um material sobre os então "30 anos do Catetinho". O diretor de arte foi lá com o fotógrafo e na volta me disse: aquilo lá é um negócio feio, velho, sem nada "bonito" para mostrar. Foi então, que vendo as fotos, me encantei com suas janelas, que eram mais ou menos assim (ao lado). Então o cartaz que criamos trazia só a janela de madeira, pintada de azul, ao centro, com a frase abaixo "Catetinho, Palácio de Tábuas". Acrescentei no sub-título: "10 dias de construção, 30 anos de história". A partir de então, o "sobrenome Palácio de Tábuas" pegou e é usado até hoje, sempre que se fala no Catetinho. Até o wikipédia sabe (http://pt.wikipedia.org/wiki/Catetinho).
No ano passado a UnB iniciou a comemoração de seus 50 anos. Uma das descobertas bacanas foi resgatar o  trabalho do arquiteto Elvin Dubugras, responsável pelo design de muitas cadeiras e mesas até hoje encontradas na universidade (aquelas cadeiras simples e retas, com assento em couro, são dele. Outros artistas "mais famosos" levavam a fama).
No post anterior, falando do aniversário de 50 anos do Militão, comentei que acompanhamos o efervescente Rock dos Anos 80 da cidade, com inúmeras bandas. Sim, conheci a Cássia Eller, quando ela ainda cantava no Bom Demais, da Cristina Roberto, na Asa Norte. (Era grátis, a gente só pagava a cerveja que consumia). Sou amigo do Murilão, que morava na 104 Sul, faixa preta de judô, que foi  uma espécie de "segurança informal" do Renato Russo.
Da mesma forma que eu, em minha área (Comunicação), minha esposa foi aluna, colega ou professora de todo mundo das artes cênicas do DF dos últimos 25 anos, incluindo a Ellen Oléria (comemoramos seu aniversário no gramado do IDA, na UnB).
Em resumo, ser contemporâneo de Brasília (a cidade está com 53) e da UnB (com 51) me proporcionou o privilégio de acompanhar e fazer parte desta história, ao vivo.  Isso já foi possível em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro (só que há mais de 400 anos) e que eu saiba, nenhum deles postou isso em Blogs, né? Ah, mas ainda eram os lusitanos...Ok, eu também sou luso-descendente. E candango, por adoção.


domingo, 29 de setembro de 2013

50tinha não é o Fim do Mundo

39-BLUES, ROCK E HISTÓRIA

A "Festa do Fim do Mundo", que fizemos aqui em casa no final do ano passado era para ser um "preparativo" para a minha festa de 50 anos. Marquinhos, Delei, Rênio, Edimar e Gilsom fizeram um som ao vivo, da melhor qualidade, que deixou muita gente de queixo caído.
A expectativa era que agora em setembro esta galera, com o reforço de mais um ou dois músicos amigos, tocasse de novo no meu aniversário. Mas...(sempre tem um mas) o Rênio avisou que não poderia vir, porque a esposa dele tinha encomendas para levar em outra festa no mesmo dia. "Alguém tem que trabalhar", disse. E ainda tripudiou, se achando a última coca cola do deserto: "E sem o baixo, o som não flui". Assim, não rolou som ao vivo na minha festa de 50 anos.Quem veio, até elogiou, que foi um dia agradável e bacana.
Um pouco antes do meu aniversário, teve uma amiga que fez 50tinha também. Levou os amigos para um clube e a festa foi animada, com muita música e alegria. Ontem, fui em uma casa noturna, para comemorar os 50tinha do Militão Ricardo, amigo dos tempos de UnB. Pois não é que o Militão conseguiu além de reunir seus amigos, também trazer boa parte da galera que fez a história do rock de Brasília nos Anos 80? 2 de suas ex-bandas tocaram, com os componentes originais: Os Rochas e Banda 69 (que não tocavam juntos há 28 anos!!!). Estavam lá ainda Phelipe Seabra, do Plebe Rude; Fernando, dos Capacetes do Céu; Rodrigo Leitão (Finis Africae) e o cantor Mario Salimon. Inesquecível (Perdão, se esqueci mais alguém que merecia ser lembrado).
Banda 69, com Militão (bateria) Rodrigo (teclados), Murilo(guitarra) e Marcelo (baixo e vocais).
Sim, o "rock de Brasília" não era só Paralamas, Legião ou Capital. Tinha toda esta galera que formou público e lotava os shows.
Nas redes sociais,  já anunciam que está "aberta a temporada da comemoração dos 50 anos de boa parte de nossa turma". A previsão, para os próximos 3 anos é de muitas festas, como a gente fazia nos Anos 80. 
E, particularmente, ao tratante do Rênio, já avisei: "Ele que não falte em minha festa de 100 anos". Não terá perdão (kkkkk). 

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Longevidade

38-DIMINUA O DESEJO

Hoje, pensando em escrever o post anterior, reli alguns trechos do Tao te King e fiz esta foto da árvore que plantei na frente de casa. Talvez, por causa desta ideia, uma de minhas preferidas no livro: "Quando as pessoas nascem são flexíveis, e quando morrem são rígidas. Quando as árvores nascem são maleáveis, e quando morrem são quebradiças".
Gosto de árvores, por isso plantei muitas. Milhares até. Demoram a crescer, o resultado não é imediato. Mas, ao ver uma árvore frondosa e recordar-se que, muitos anos antes, você tinha nas mãos uma pequena semente, nos dá um pouco da sensação de saber utilizar corretamente o tempo. 
Aqui em casa evitei usar mudas enxertadas, dessas que a gente compra nos viveiros. Elas crescem mais rápido, produzem mais cedo, mas param logo de crescer. As mudas que eu mesmo preparei, como esta mangueira, demoram mais. Mas em compensação, quanto mais o tempo passa, serão maiores e mais bonitas. 
A natureza ensina. Sermos  rígidos e competitivos, na busca de "nossos objetivos", expressões tão em moda hoje em dia, apenas apressam nosso fim. "Quando você dá toda a sua força, envelhece; isto, dizem, é incontrolável". Busquemos então a flexibilidade. Pois ela é "companheira da vida". 
Sinceramente, o Tao me fez repensar valores e até,  abrir mão ou questionar as ambições tidas como "normais" em nossa sociedade consumista. Dizem que os taoistas dominavam as técnicas de longevidade. Eu não duvido. Quero ver minhas árvores crescendo.

O Poço


37- O MEU PONTO DE MUTAÇÃO

Logo que eu comecei a trabalhar, um pouco antes de me formar na faculdade, fui fazer um estágio em uma agência. No mesmo dia em que eu, entrou lá também um profissional com "mais experiência",  carioca, muito falante, que se "dizia ser o Cara". Ele ficou com um trabalho por uma semana, "mas não vinha a inspiração". Não escreveu uma linha sequer. Foi dispensado e tive que fazer o trabalho dele.
Mas, nesta semana, ele falou de um livro, que curioso, fui atrás. Era o tal do I Ching, o Livro das Mutações. Alguns o veem como um oráculo, para o qual você faz perguntas e ele responde. Na verdade ele seria um resumo da cultura chinesa tradicional, transmitida oralmente,  por milhares de anos até chegar até nossos tempos. Teria ideias Taoistas e Confucionistas, as duas grandes correntes do pensamento chinês.
Comecei a anotar a lápis, no próprio livro, as ideias que para mim, ocidental, soavam diferentes ou novas. Fui lendo cada um dos 64 hexagramas e também os textos explicativos. Um exemplo? "O cume é um lugar alto. O homem que se encontra numa posição elevada poderá facilmente ficar isolado". (Sim, simplesmente abri o livro e relatei o primeiro trecho anotado que encontrei).
Passado algum tempo, percebi que já estava "familiarizado" com os 64 Hexagramas. Se me perguntassem, qual era o 36, na hora eu me lembraria do "obscurecimento da luz", que diz assim "A luz mergulhou no fundo da terra: a imagem do OBSCURECIMENTO DA LUZ. Assim, o homem superior convive com o povo. Ele oculta o seu brilho e apesar disso resplandece".
Depois conheci um outro livro, bem menor (em número de páginas), mas também fundamental para conhecer o pensamento chinês, mais especificamente, da Escola Taoista, o Tao te Ching.
Este traz 81 "poemas", que tratam respectivamente, do Caminho e da Virtude. Cheguei a participar, com um grupo de amigos, de estudos semanais deste pequeno livro, durante aproximadamente um ano. Além de mim, tinha um psicólogo Junguiano, um Monge Budista, um servidor público, uma médica e uma bailarina. Descobrimos que era legal comparar as diferentes versões ou traduções publicadas, algumas em outras línguas. Foi uma experiência muito rica, mas não tenho a menor pretensão de dizer que "esgotamos o assunto".
"Ching" significaria "poço". Diz o Tao: "O bem superior é como a água: o bem da água a tudo beneficia, e o faz sem poupar-se".  Diz o I Ching: "O POÇO. Pode-se mudar uma cidade, mas não se pode mudar um poço. Este não diminui nem aumenta. Eles vão e vem, recolhendo do poço". O mesmo ideograma pode ser também traduzido como "Sabedoria".
Como fiz referência no sub-título, lá em cima, li também o "Ponto de Mutação", de Fritjof Capra. Gostei, mas não ao ponto de dizer que "mudou minha vida", como posso tranquilamente afirmar sobre estes outros 2 Chings. O Confucionismo nunca me interessou muito.
Se alguém quiser seguir "O Caminho" (assim também o Tao é conhecido),  hoje eu recomendaria que primeiro conheça o Tao e depois vá para o I Ching. (O contrário do que fiz). No fim, das contas, beberá-se do mesmo poço, não importa a ordem, né?
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segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Piaparas e bagrinhos

36-MEU RIO É O GRANDE

Se o Riobaldo dizia que o "Urucuia é meu rio", no Grande Sertão: Veredas, posso perfeitamente considerar o Rio Grande, como sendo o "meu rio".
Passei lá boa parte de minha infância, tentando pescar boas piaparas. Isso antes da represa de furnas, porque depois, elas praticamente desapareceram. Ficaram apenas os lambaris e as tilápias.
A piapara era um peixe valente. Brigava para não sair da água. E dava belos saltos também. Alguns até diziam que ela "voava". O pescador tinha que ter técnica e paciência para vencer a batalha. Puxa um pouco, dá linha na carretilha, deixa descansar, recolhe mais um pouco...e assim ia.
Às vezes, a gente fica com a sensação de ser um "peixe fora d'água". Outro dia, comentei com um cliente, empresário, que um dos meus melhores amigos de faculdade ocupava um cargo de primeiro escalão no governo local. Nadando na lógica empresarial, ele logo identificou uma "boa oportunidade de negócios" para mim, quem sabe não poderia arrumar algum contrato bom?
Respondi que meu amigo era meu amigo há 30 anos justamente por saber que eu nunca faria algo do tipo. E completei. "Daqui a 6 meses ou um ano, ele deixa o cargo. E como fica nossa amizade?"
Eis que no fim de semana, no facebook, este meu amigo disse que estava colocando o cargo à disposição do governante, que teria liberdade para uma escolha talvez mais política e menos técnica.
Claro que bagrinhos nunca fariam isso. Mas não é o primeiro de meus amigos a tomar tal atitude. Um deixou a chefia da Sucursal de uma grande revista nacional, por discordar (e não querer fazer parte) de alguns "de seus negócios editoriais", outro trabalhava diretamente com a mais alta autoridade e pediu para sair, pois a pressão era tremenda (e tinha família, filho pequeno, etc).
Eu mesmo, logo que sai da faculdade, deixei de ser redator da então maior agência de publicidade do país, pedi as contas, porque me achava mal remunerado. Na época, muitos não entenderam também. Devem ter me achado um ET, ou peixe fora d'água. Quem nasceu bagrinho, nunca será piapara. Aprendi isso lá no Rio Grande, ainda menino.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

As Leis Caninas

35-MACHO ALFA DECRETA:


  1. Se os humanos (esta raça bípede menos evoluída que nós) tem seus 10 Mandamentos, eu, que sou mais lindo e esperto também tenho direito às minhas Leis Caninas;
  2. É proibido espirrar (eu avanço e fico bravo, mesmo que seja com meu Dono)
  3. É proibido tossir (idem ao item anterior)
  4. Todos são obrigados a me achar lindo e gostarem de mim. (Em contrapartida, sou do tipo: Nunca te vi, sempre te amei. Ou seja, quero carinho)
  5. É proibido voar. Aviões, libélulas, beija-flor, corujas e pássaros em geral serão considerados inimigos. Vou latir e tentar alcançá-los. Um dia conseguirei.
  6. Meu Dono, ao acordar, imediatamente será obrigado a me dar um pãozinho. Se possível, em vários outros momentos do dia, também.
    Lembrem-se: sou lindinho e fofinho desde sempre
  7. O passeio no fim do dia/início da noite é sagrado. Não deve ser ignorado em hipótese alguma. É quando mostro às corujas aqui do Condomínio que é o "Macho Alfa" do pedaço.
  8. Furadeiras, liquidificadores, aparelhos elétricos em geral, e principalmente, a famigerada Makita são meus inimigos mortais. Não podem existir.
  9. Odeio Tom Waits. Aquela música dele me tira do sério. (Eu acabaria com as caixas de som, se meu Dono deixasse eu entrar dentro da casa).
  10. Fogos e trovões devem ser abolidos. Ou mordidos sem piedade.
As Leis Caninas poderiam ter mais uns 5 ou 10 itens, facilmente. Os 10 Mandamentos também. Como isso deixaria os Humanos em situação de inferioridade (eles gostam de pensar que são os Chefes da Matilha), eu paro por aqui.  Amanhã tenho que acordar cedo e latir para os primeiros passarinhos que se atreverem invadir o espaço aéreo de minha casa. Au au para vocês. (Alfa, o Sheltie).

(Como meu cachorro não é blogueiro, nem sabe escrever, digitei por ele, ok?)

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Liberação

34-SERÁ QUE VAI CHOVER?

"Eu não sei, não" cantavam os Paralamas.
Mas a gente sabe. Se não sabe, desconfia (na minha bio do twitter eu explico melhor isso). Ontem na hora do almoço disse que já era hora de colocar as capas de chuva no baú da moto. A seca chegava ao fim.
Pois bem, assim não o fiz. Esqueci das capas. Sai para resolver coisas de trabalho e voltei no fim da tarde para casa. Por sorte (deste motociclista egoísta) até então, nada dela aparecer.
Eis que no início da noite um vendaval e trovões anunciavam solenemente. Alguns, poucos pingos, quase dava para contá-los...e de repente, a chuva choveu com vontade...e prosseguiu a noite inteira.
A farra foi tanta que os pássaros até se atrasaram para cantar em minha janela. Mas cantavam mais alegres. Pensei ser madrugada ainda e já era 7 horas. O sol parecia envergonhado, tão desejada, bela e abençoada foi aquela primeira chuva de setembro.
Lembrei-me do I Ching, em seu Hexagrama 40: "Tais épocas de mudança repentina são muito importantes. Assim como a chuva provoca um alívio nas tensões atmosféricas e faz com que todos os brotos se entreabram, assim também o período da liberação traz um alívio ao que estava sendo oprimido, e um estímulo à vida". Tirei então esta foto, ainda com algumas gotas penduradas no galho do maracujá. Reparem no pequeno broto e a paisagem do cerrado já diferente, mais esverdeada, menos amarelo-acinzentada. Ok, que são detalhes, banais e corriqueiros. Mas a vida é assim, não?

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

A Grande Família

33- ESQUEÇA A DA TV, OK?

No lugar de "Dia dos Pais ou das Mães", muitas escolas já aderiram ao chamado "Dia da Família". Afinal, o "conceito" do que seria família tem sido bastante atualizado. Isso evita que uma criança criada sem um dos pais, ou com mais de um deles, seja discriminada pelos coleguinhas "normais", por exemplo.
Me separei quando meu filho era ainda pequeno e tentei mostrar o lado bom para ele. Um dia, soube que ele disse na escolinha que tinha muita sorte: "pois tinha 3 casas, a da mãe, a do pai e a dos avós. E com tantas crianças sem casa por ai". Acho que ele entendeu direitinho.
Por outro lado, ele sentia falta de ter irmãos para brincar na infância. Pois não é que aos 12 anos ganhou mais dois irmãos,  um 5 anos mais novo e outro 5 anos mais velho. (São os filhos de minha esposa). Resolvido.
Mas, o que leva a gente encontrar ou desencontrar as pessoas na vida? Dizem que são mais de 6 bilhões no planeta. Porque uma determinada pessoa vai fazer parte de nosso círculo mais íntimo, ou ser "da mesma família"?
Algumas tradições dizem que alguns "grupos de almas" evoluem juntas. E que precisam se reencontrar, seja para dar continuidade ao que iniciaram antes, ou mesmo para aparar arestas ainda não satisfatoriamente resolvidas.  E ai se tornam familiares, amigos (até mesmo os virtuais) ou pessoas que vão, de alguma forma, ter importância em nossas vidas. Para mim, isso faz sentido.
Uma coisa bem bacana do budismo é lembrar que "não temos consciência" destes passados. E que um desconhecido qualquer, pode ter sido a sua mãe, em outros tempos. Então, como não tratar com respeito o próximo?  Afinal de contas, esta é a "grande família humana", da qual fazemos parte. Claro. Sempre vai ter o "tio do pavê" para torrar seu saco.  Mas, isso tem em todas...não é?

sábado, 14 de setembro de 2013

O caminho

32- A NEGONA

Assim, "montada" com o baú e as malas laterais, a negona tava pronta para pegar a estrada. A qualquer momento. Minha primeira viagem mais longa de moto foi em 1982, quando me mudei para Brasília, vindo de Ribeirão Preto. Foram 840 km, porque caiu a ponte sobre o rio Araguari e fiz um trajeto mais longo. Isso numa moto muito menor, praticamente uma bicicletinha perto da negona. (Era uma RX 180. Informação que só faz sentido para motociclistas mais antigos. Se não for seu caso, ignore).
Alguns pneus furados. 2 correntes que se arrebentaram no caminho. Bateria arriada. Estes foram os problemas que consigo lembrar nestas inúmeras viagens. Todos resolvidos, sem maiores dramas.
A maior parte delas, fiz sozinho. Algumas com meu filho na garupa, outras com minha esposa e outras com outros amigos motociclistas. Aproveitar o percurso, ter novas experiências, conhecer coisas bacanas e outras nem tanto, bem como enfrentar qualquer problema que aparecer, se aplicam tanto a estas viagens quanto a uma outra viagem maior, da qual, que me lembre, já estou nela há 50 anos. Uns dizem que ela é muito mais longa. Que já percorremos muito até chegar aqui e que ainda teremos muitas outras pela frente.
Engraçado que meus 2 avôs, tanto por parte de pai como de mãe, foram tropeiros. Conduziam o gado, tocando berrantes, de Barretos até Uberaba, onde seriam vendidos. Levavam um mês na estrada para ir e voltar. Hoje, eu tranquilamente faria em um dia (de moto, claro, não a cavalo). Mas, isso não quer dizer que a viagem deles era menos desafiadora que as minhas, né?
Como diz a música do Zeca Baleiro: "-qual é a parte da sua estrada em meu caminho? Será um atalho, será um desvio?" E aqui, cabe uma dica básica de pilotagem em estradas de terra: "Se surgir algum obstáculo na frente, na dúvida, acelere. Nunca freie". Aprendi isso ainda na antiga RX 180, que foi vendida e está com o meu tio até hoje. Em Barretos, claro. Afinal, foi lá que minha estrada começou. Há 50 anos. Mas isso vocês já sabem, né?

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Atenção...e sorte!

31. VIVER É MUITO PERIGOSO

A afirmação acima é de Riobaldo, no Grande Sertão: Veredas. Aos 50tinha tenho, mais do que antes, consciência disto.
Minha primeira moto foi comprada em 1981. Lá se vão 32 anos sem nenhum acidente e muita estrada para contar. Felizmente.
Ok, que já tive 18, 20 anos e fiz muita merda. Mas acho que meu anjo da guarda era bem competente.
Só que hoje aconteceu um fato inusitado. Eis que estava com minha "vermelhinha" (a da fotinha, minha 8ª moto), fazendo uma curva, ao lado de um ônibus e sinto alguma coisa "bater" em minha bota. Eu costumo pilotar, quando sozinho, com os pés para trás, na pedaleira que seria do "garupa". Terminada a curva, parei e fui ver o que tinha caído, de mim ou da moto. Não achei o controle do portão eletrônico do condomínio, com 4 chaves de casa.
Fiz o retorno e passei devagar. Não vi nada. Estacionei a moto no acostamento e voltei caminhando ao lado da pista para ver ser encontrava. Como iria entrar em casa? Quando achei que já tinha andado o suficiente procurando e nada, eis que um carro se aproxima de mim e o carona me fala: "Amigo, a sua chave está ali atrás, bem no meio da pista". Agradeci e, realmente, a uns 50 metros o chaveiro estava na terceira faixa da pista, onde os carros passam em alta velocidade (como eu passei, com o bolso da jaqueta aberto).
Foi sorte. Mas também foi minha atenção ao pilotar a moto, não? Ou será o anjo da guarda? De qualquer maneira, o resultado é o mesmo: final feliz. Isso que importa, né?

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Matei Charles M.

30- UM CRIME PERFEITO

Já dizia o grande Rubem Fonseca que é muito simples você matar alguém e não ser descoberto: basta não ter motivos para fazê-lo. Lógico, né?
Pois foi assim que aconteceu com Charles M. Gente boa, foi meu vizinho no antigo prédio em que morei. Daqueles que quando eu ouvia uma música mais alta e tocava o interfone, era ele dizendo que não conhecia aquela versão de Bolero de Ravel, se eu podia colocar de novo ou copiar o CD para ele. Me mudei, passamos algum tempo sem nos ver, a cidade é grande.
Perto do Natal, fui em um hospital, onde um grande amigo meu era o cirurgião-chefe das emergências. Pois lá, vejo, uma maca com o nome do meu ex-vizinho, Charles M. Não era um nome tão comum assim. Perguntei ao amigo o que tinha acontecido. Foi um acidente de carro, a caminho de São Paulo e o cara estava todo arrebentado. Tinha sido encaminhado para a UTI. As informações batiam. A idade, os parentes no interior de São Paulo....acidentes acontecem. Fui ver o resultado do meu exame com meu amigo médico e chega a notícia: o Charles M. havia falecido.
Portador da notícia em primeira mão, liguei para uma amiga em comum e contei-lhe o ocorrido. Consternação geral. Notícia ruim se espalha logo. Passado um tempinho eis que essa amiga me liga, dizendo que tinha acabado de falar com o Charles M. Desconfiei. Ok, que ela era espírita, mas não sabia que as comunicações entre-mundos estavam tão evoluídas.
Mas, não. Assim como eu, o Charles M. foi ao hospital para um simples exame, ia tirar um Raio-X. Enquanto estava na maca, com um papel escrito o seu nome, apareceu o tal acidentado. Lógico, ele pulou da maca e a cedeu ao camarada todo estrupiado. Só não tiraram o papel com o seu nome. Assim, na falta de outra informação, aquele infeliz passou a ser identificado no hospital como sendo o Charles M. Que faleceu, mas não era ele. Confuso, né?
Um dia na mesa do Beirute, eis que chega perto de mim um sujeito, acompanhado do filho. Olhei e reconheci o amigo. Ele olha para o filho e fala: -"Tá vendo, filho? Foi esse cara que me matou". Um minuto de silêncio e constrangimento geral. Depois, nós 3 caímos na gargalhada. "Cícero, traz mais 3 chopps".

domingo, 1 de setembro de 2013

Astro, Lógico

29-BAIXOU O OMAR CARDOSO

Em 50 anos (faltam só 4 dias, acho que já posso arredondar), curioso que sou, busquei conhecer um monte de coisas. Uma delas foi a astrologia. Meu filho, sobrinhos e filhos de alguns amigos "ganharam" ao nascer o Mapa Astral de presente, interpretado por mim. Acredito que todos temos o mesmo "hardware" (que é a máquina humana), mas cada um tem o seu próprio "software" (que programa sentimentos, emoções e reações). Dai algumas incompatibilidades entre os diferentes sistemas, que a astrologia pode dar algumas dicas para superar.
Ontem, comentei sobre o livro "Astrologia Divertida", de Will Eisner com uma amiga, que postou o link de um blog que tem o seu conteúdo. Aqui:( http://www.monicacamacho.com/intranet/ebooks/Astrologia/astrologia%20divertida%20-%20will%20eisner.pdf )
Não me deterei no Will Eisner (que é ótimo), mas vou comentar algumas coisas sobre os 12 signos, misturando diversas "fontes" (entre elas, Dane Rudhyar e alguns amigos astrólogos que conheci):


  1. Áries. Quer explorar seus limites. Vai de cabeça nas coisas (símbolo: cabra), age impulsivamente. A maneira mais simples de deixar um ariano(a) maluco(a) é ficar levantando dúvidas, questionamentos, que o impeçam de agir. Corre-se o risco de tomar um soco na cara. Ayrton Senna era ariano.
  2. Touro. Busca segurança em "ter". Metódico, trabalhador, gosta da segurança e do conforto, quer ter a família unida em volta de si. Minha avó era taurina. Juntava filhos, netos, bisnetos e agregados à sua volta. Avarento, teimoso e ciumento.
  3. Gêmeos. Tagarela, agitado, nervoso. Uma mente muito rápida, que não para de ter ideias e mudar de opinião. Adora "jogos mentais". É aquela pessoa da turma que tenta convencer todo mundo a ir em um buteco longe pra caralho, porque lá é mais legal e que quando a turma topa, ele(a) muda de ideia e resolve convencer todo mundo a ficar onde está. O jeito mais fácil de irritar um geminiano(a) é cobrar-lhe coerência com o que disse antes. Pira.
  4. Cancer. Maternal, preocupado com a família. Muito sensível. Magoa-se fácil. A palavra-chave para o canceriano é "eu sinto". Amorosos, mas capazes de atrocidades cruéis quando "feridos" (like a escorpião). O melhor exemplo do signo seria um Chefão mafioso: tudo pela "famiglia", mas não tem remorso em mandar concretar e atirar no mar o sobrinho ou parente que pisou na bola .
  5. Leão. O sol que vos ilumina. Pensa que é o Rei Sol, Luís XIV. Um ego imenso. Quer ser o centro das atenções e necessita de aplausos. Exibicionista e extravagante. Meu filho tem ascendente Leão, dai eu sempre lembrar ele de "baixar a bola", sem me preocupar com a auto-estima dele, porque isso não será nunca problema para um leonino(a).
  6. Virgem. Racional, metódico, organizado, cri-cri. O personagem de Dona Flor, o segundo marido dela, o farmacêutico, era um perfeito virginiano: "Um lugar para cada coisa, cada coisa em seu lugar". Por acaso, é meu signo. Sim, odeio quando mudam meus livros ou cds de lugar.
  7. Libra. A balança. Busca "pesar as coisas" o tempo todo. Morre de medo de ser injusto em suas decisões, daí ser "empacado" para decidir qualquer coisa. É o oposto de Áries. Dizem que as librianas são boas amantes (que minha esposa não leia isso, ou terei problemas em casa).
  8. Escorpião. Intenso, do tipo "ame ou odeie". Sem meios termos. Nunca seria uma Margarina Silva, por exemplo. Tem um intuição quase mediúnica e, por conta disso, parte logo para o confronto. Meu pai é de escorpião. Quando ele me dizia "cuidado com tal pessoa, ela pode aprontar alguma" não dava outra. Eita boca maldita. Tem segredos ocultos. Curte um bacanal.
  9. Sagitário. Metade animal, metade arqueiro. Tem as 4 patas na terra, dai gostar da boa vida, das farras e dos prazeres. Por outro lado aponta sua mira para o alto. É capaz de se dedicar a vida toda a um projeto. Tomara que os cientistas que buscam a cura do cancer sejam sagitarianos.
  10. Capricórnio. A teimosia é uma de suas maiores virtudes. Batalhador, realizador. Usa o tempo em favor de alcançar suas metas. Ambicioso, quer "subir mais alto" na vida e vai fazer de tudo para isso. Não é muito chegado nessas coisas sentimentalóides, por isso, se um capricórnio passar como um rolo-compressor por cima de você, a culpa é sua que estava no caminho dele. Meu ascendente, ok?
  11. Aquário. Assista ao filme "Hair". Aquilo é a "era de aquários". Oposto ou complementar a Leão, rege as causas planetárias, o coletivo. O aquariano nunca está sozinho, vive cercado de amigos. Apesar de não buscá-los e curtir o silêncio, a introspecção. É excêntrico, meio maluco, cheio de ideias. Geralmente, são gente fina.
  12. Peixes. Sonhador, sensível, pouco prático. É o oposto ou complementar de virgem. Como último signo do zodíaco, caberia a ele fazer a "análise de sua trajetória até aqui". Dai viver em seu próprio mundo, no passado, na imaginação. Tendem a fugir da realidade (que é muita dura para eles). Se você achou tudo isso muito gay, além de gay, deve ser maconheiro também. (Ok, os piscianos vão ficar magoados ao ler isso. Sorry)

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

A Copa de 82. Lições para 2014.

28- O ANO QUE MUDOU MINHA VIDA

Em 1982 tinhamos um timaço na Copa do Mundo. Sócrates, Zico, Falcão...ok, tinha Toninho Cerezzo também. O técnico era Telê Santana. Eu tinha 18 anos e estava fazendo cursinho pré-vestibular. A sala era grande, devia ter uns 200 alunos. Tive uma grande ideia: fazer bolões em todos os jogos, incluindo coisas como China versus Cazaquistão. A estratégia era simples. Nossa turma, de uns 30 vagabundos, marcava todos os resultados possíveis. De 0 a 0 a 5 a 5. E passávamos o bolão pro resto da galera. Sempre tinha 2 acertadores, sendo um da turma, que, lógico, pagava as cervejas pra galera. Assim, a dinheiro de hoje, investiamos 30 reais e o bolão ficava em torno de 120 a 150. A metade dava entre 60 e 75. A cerveja custava R$ 1,00. Logo, nunca bebi tanto em uma Copa do Mundo, como em 1982.
Em julho daquele ano, o Brasil era derrotado por Paolo Rossi, da Itália (lembram da ressalva que eu fiz ao Toninho Cerezzo, pois é. Tá explicado, né?) e eu prestei o vestibular da UnB.
Na república em que fiquei para fazer as provas nos quatro dias de vestibular tinha uma coleção completa do Asterix. Eu não conhecia. Li todos e passei os 4 dias gargalhando. Dos meus colegas, a maioria prestava vestibular para engenharia e viravam a noite estudando para as provas do dia seguinte. Resultado: dos 8 que estavam na República eu fui o único aprovado no vestibular. Da minha turma de cursinho, que tomamos todas na Copa, exceto eu, ninguém passou em universidade federal ou pública, naquele meio de ano.
Foi como se eu tivesse feito um gol de mão, like a Maradona (mas isso foi em outra Copa, ok?). Indignação geral da galera com o vagabundo aqui. Fazer o quê, o mundo é injusto, né?
Assim, 1982 mudou minha vida. Vim morar em Brasília e aqui estou desde então. Então qual é a dica para 2014? Venham para Brasília ver os jogos e tomem todas. Ah, tem o lance do bolão pros trouxas pagarem suas cervejas também. Se a Seleção vai ganhar ou perder, isso já é outra história. Simples assim...rs.

O Tudismo

27. É TUDO. OU NÃO.

"Meninos são bobos", já dizia a Mônica sobre o Cebolinha e o Cascão. Comigo, não seria diferente. Tento ser bobo até hoje. Às vezes é mais difícil, mas nada como um treinamento contínuo para obter bons resultados.
Uma de minhas bobeiras favoritas, na época da faculdade, era teorizar sobre o "Tudismo", uma filosofia ou teoria que inventei. Em resumo, o "tudismo é tudo, não exclui nada". Mas, para não ser "radical demais", inclui no final uma malemolência meio Caetano, meio Gil, que se tornou a marca registrada: "Tudismo é tudo. Ou não".
Assim, em nossas conversas com a galera da faculdade, quando o assunto ou a gente tava ficando pra lá de Marrakesh, o Tudismo nos salvava. Era sempre o argumento definitivo (ou não) para qualquer discussão. Creio que muitos amigos daquela época ainda se lembram do Tudismo (ou não, claro. Não compete a mim explicar porque ex-alunos do curso de Comunicação da UnB possam ter problemas de memória. Ok?).
Pouco tempo depois que sai da faculdade, conheci algumas tradições filosóficas orientais (até então, meu único contato com o Oriente tinha sido algumas namoradas nipo-descendentes e uma única visita ao bairro da Liberdade, em Sumpaulo) e eis que sou apresentado ao Taoismo, que poderia ser visto, como uma espécie de Tudismo, só que dito por um grande sábio, no caso, Lao Tsé. Uma de suas ideias é que "o Tao que pode ser expresso não é o Tao Absoluto. O nome que pode ser revelado não é o Nome Absoluto". Diante disso, faço minhas as palavras de Guimarães Rosa, que também é autor de um grande livro taoista, o Grande SerTao: Veredas:"Sentei em cima de nada. E cri tão certo, depressa, que foi como sempre eu tivesse sabido aquilo. Menos disse."
Com todo respeito à Lao Tsé, que viveu por volta de 500 A.C. (e na China, portanto, bem distante de Guaíra), excluo a remota possibilidade de plágio prévio, se é que isso possa existir. Concluo então que, independente dos nomes, eu conhecia aquilo, mesmo sem saber que sabia. Muito simples de entender, né? Ou não.

sábado, 17 de agosto de 2013

A vida vem em ondas

26- SE LIGA

Em publicidade, um dos clientes que eu tive o maior carinho e respeito foi a Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Em sua "época de ouro", nos anos 40 e 50, foi muito mais influente que qualquer emissora de TV que conhecemos atualmente. Meu pai conta que era possível andar na rua e acompanhar a novela transmitida pelo rádio, pois todas as casas estavam sintonizadas na "Nacional". Dai se ouvir perfeitamente nas calçadas...
O Rio de Janeiro era a Capital Federal e o rádio o grande instrumento para unir os brasileiros. Desta época vem que, em todo o país, os times cariocas tem grande torcida. Lembro de meu pai comentar que, no interior de SP, era mais fácil acompanhar pelo rádio os times cariocas do que os jogos dos times locais.
Na faculdade, estudei a história do rádio, onde a Nacional era um capítulo à parte. Fiz, para ela dois trabalhos que me orgulho muito. Outros clientes me deram prêmios e mais dinheiro, é verdade. Mas, nem tudo se resume a dinheiro ou badalação. Especialmente, naquilo que nossa memória registra nas pastas sentimentais. O primeiro foi na comemoração dos 60 Anos da Rádio Nacional, um anúncio para revista. Usei como título: "A vida vem em ondas" e no subtítulo: Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Há 60 anos na vida do Rio, como o mar. A foto, claro, era de uma praia carioca. (Ok, a referência era ao poetinha  Vinícius de Morais. Embora, Lulu Santos tenha transformado em música) Dizem que a Diretora da Rádio, que deveria aprovar o anúncio, chorou ao ler.
O segundo trabalho era menos pretensioso, deveria ser um simples anúncio (pequeno) para jornal, divulgando as transmissões esportivas da emissora. Tasquei o título: "Futebol, a emoção Nacional". Isso foi ainda nos meus tempos de MPM Propaganda, ou seja, há pelo menos 25 anos. Há pouco tempo ouvi um jogo de futebol pelo rádio, pela Nacional. E não é que meu título virou "bordão" durante as transmissões? Até hoje. Como não se orgulhar de fazer parte desta história tão bonita, né?

domingo, 11 de agosto de 2013

Efeito Orloff

25-SOU VOCÊ AMANHÃ

Hoje, Dia dos Pais, compartilhei uma foto em que estou com meu pai e minha irmã, da última vez que estivemos juntos.
Um belo dia percebi a coincidência: meu pai era 27 anos mais velho que eu; e meu avô, 27 anos mais velho que meu pai. Não deu outra: aos 27 me tornei pai também.
A imagem que tenho de meu avô é de um velhinho, magro, rosto fino e cabelos brancos...minha ex esposa o conheceu e comentou: "já sei como você vai ficar quando envelhecer". Não. Ainda não sou avô. Já me conformei de que a imagem que meu neto terá de mim não será diferente...rs. Bom, isso depende de meu filho. Agora ele tem 22... quem sabe a nossa tradição chega a mais uma geração? Façam suas apostas, senhoras e senhores.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Lobo Mau

24- MACHO ALFA

Revendo algumas fotos do antigo celular, eis que acho esta do Alfa ainda filhote. (Ok, o nome, segundo meu filho é Alface) Na época, a gente ainda morava no apto na Asa Sul. Todas as crianças do prédio vinham brincar com ele, várias vezes ao dia. Assim, ele cresceu, brincalhão e adorando crianças.
Um pouco maior, ele encontrou em um passeio na quadra um bebê, que começava a andar. O bebê o abraçava, deitava em cima dele, enfiava a mão em sua boca, etc... juntou gente na calçada para ver a "farra" dos dois. Daí quando eu digo que ele é incapaz de fazer mal a um bebezinho, não é força de expressão. É fato. Ele faz o gênero "nunca te vi, sempre te amei". O engraçado é que ele tem esta cara meio de lobo, meio de raposa, que assusta um pouco os desavisados. Foi assim com uma criança, de uns 7 anos, que  ficou morrendo de medo dele e falou para os pais: -"Olha, um lobo". Segurei o riso. O dono, com certeza é mais "brabo" que ele...tanto que, para "cão de guarda" arrumei uma vira-latas, a Lila (que um belo dia fugiu assustada com os fogos da festa junina do vizinho e nunca mais apareceu). Tive que arrumar outra cachorrinha, metade vira-latas, metade rotweiller, a Nina. Agora ela está com 2 meses de idade e hoje, eu e o Alfa a levamos para passear pela primeira vez. Só espero que ele não a ensine ser tão dócil assim, né?

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domingo, 4 de agosto de 2013

Pautando "O Cara"

23-DE POST EM POST...

Tudo começou quando vi na internet esta foto. Um carro da campanha do Serra, na última eleição em São Paulo, que "não viu um poste". Piada pronta, pensei.
Primeiro foi a derrota para Dilma, que era ridicularizada pela mídia como sendo "um poste de Lula". Ganhou e comemorei muito a posse dela.  Haddad começou tímido e desconhecido na campanha eleitoral. Como publicitário e profissional de marketing (trabalhei em minha primeira campanha política em 1986. E ganhamos.) acreditei nas chances dele quando ainda estava com 3% das intenções de voto e fiz campanha sim, mesmo que à distância, na internet. Então, soltei a frase: "Haddad é mais um poste de Lula no caminho de Serra. Ainda bem." Logo a ideia se propagou na rede e acrescentaram: "de poste em poste a gente vai iluminando o Brasil".
Quando "O Cara" falou exatamente isso em um discurso em Campinas, eu não acreditei. O grande Lula repercutindo o que dizíamos no twitter. Mó orgulho. Conversando com um amigo, ele resumiu: "Claro que o Lula acompanha o que está rolando na internet. Se não pessoalmente, deve ter assessores que fazem isso".
Apesar de não ser nenhuma celebridade ou ter zilhões de seguidores (mesmo sabendo que "celebridades" "compram" seguidores "fakes" só para parecer que são "celebridades". Coisa doida, né?) me senti recompensado em minha "militância virtual". A gente somos formiguinhas, mas de post em post...já viu, né? kkkk

Distâncias

22-RELATIVIDADES

Clodo, meu ex-colega professor da UnB, amigo e compositor de várias músicas (talvez a mais famosa seja "Revelação") dizia em uma delas que "as portas e janelas na infância pareciam maiores do que são hoje". Tudo é relativo.
Moro, há 30 anos, distante de minha família, o que não impedia de passar todos os Natais com eles e meu sobrinho sempre foi muito ligado a mim e ao meu filho em sua infância, apesar de ter vários outros parentes muito mais próximos.
Minha esposa trabalha a 430 km daqui, viaja semana sim, semana não para vir para casa. Por coincidência, há 5 anos ela também atua em Educação à Distância. Tem alunos no Acre, em Barretos, além dos que convive no dia a dia, em Uberlândia. Também, não por coincidência, o Doutorado que ela cursa terá como tema "O Ensino do teatro por EAD".
Não tenho a pretensão de explicar nada, mas o I Ching dá uma dica: "Quando um sentimento é expresso com sinceridade e pureza, quando um ato é a manifestação clara  do que se sente e pensa, exercem uma influência misteriosa que se propaga mesmo à distância".
Os muitos amigos que fiz no twitter ou pelos meus blogs, por exemplo, me convencem que isto é verdade.

sábado, 3 de agosto de 2013

Meus 10 Mais

21- INUTILIDADE PÚBLICA

Na internet é possível encontrar listas de tudo, dos melhores fillmes, dos piores, das pessoas mais bonitas até aos mais sem-noção ou rídiculos. Então, resolvo dar minha contribuição, listando os 10 filmes que mais me marcaram nestes meus 50tinha:
1) TUBARÃO
Não assisti. Na época de seu lançamento eu não tinha idade para entrar no filme (acho que era Censura 14 ou 16 anos, e eu tinha um pouco menos que isso). Só de raiva, evitei assistir nas inúmeras vezes que passou na sessão da tarde.
2) HAIR
Assisti a primeira vez ainda em Ribeirão Preto. Depois assisti mais umas 12 vezes. Parei de contar quantas vezes assisti. Comprei o DVD. Conheço todas as músicas e sequências do filme.
3) APOCALIPSE NOW
Uma porrada. Marlon Brando questionando a "sanidade de nossa sociedade" e a cena do bombardeio na praia ao som de Cavalgada das Valquírias. "É o horror".
4) MAD MAX
Sai do cinema anestesiado, meio em transe. De repente percebo um carro do meu lado e eu estava de moto. Achei que ele iria passar por cima de mim, como no filme. Baita susto.
5) THE WALL
Na faculdade a gente sempre inventava um motivo para assistir, em vídeo. Claro que, para entrar no "clima" do filme, rolava antes uma "festinha". Não consigo me lembrar de uma só cena. Não sei porquê...rs.
6) BLADE RUNNER
Marcou uma geração. Matrix e tudo mais são consequências. Acho que meu filho foi gerado ao som da trilha sonora deste filme. "One more kiss dear, one more time"...
7) SACCO E VANZETTI
Filme político, sai revoltado do cinema. Ao chegar na rua, a claridade me cegou. Fiquei desorientado. Descobri ali que tinha miopia.
8) CIDADÃO KANE
Toda lista de filmes tem que ter. (Alguns o fazem só para parecer "chics" ou intelectualizados). Não é meu caso. Revolucionou o cinema e o uso da luz, da profundidade de campo, das sequências sem cortes...
9) METRÓPOLIS
Assisti o original e depois, o colorizado em São Paulo. Saio do cinema na Brigadeiro, entro na Av. Paulista, em meio àquele mar de gente apressada no fim da tarde. Perfeito.
10) ACOSSADO
A falta de sentido da vida, a ação, os diálogos cortantes. A atriz (que não lembro o nome), linda.

Fiquei na dúvida ao escolher o décimo e último da lista. Claro que poderia incluir outros. (2001, Laranja Mecânica, Sonhos de uma noite de Verão, Ran, etc) Mas, puxando pela memória foi o que me veio. Reafirmo não ter nenhuma pretensão de rigor técnico ou científico, como aliás o são todas as "Listas de 10 Mais". Injustiça não citar também "O Arranha-Céu", um filme japonês de 4 horas de duração, interminável, que conta a história da construção do primeiro grande edifício de Tóquio, "solucionado" pelo engenheiro quando descobriu o "parafuso certo" que deveria usar. Sem dúvida, o pior filme que assisti em toda minha vida. Não. Não assisti nenhum filme do Jabor.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Nonada

20-O SERTÃO ESTÁ EM TODA PARTE

Devo ao "Visconde de Sabugosa" minha paixão pelo Grande Sertão: Veredas. Seu nome era Renato (de significado renascido), foi meu professor de literatura no colégio e era um apaixonado pelo Grande Sertão. Tanto que deu aulas na região descrita pelo livro durante anos só para poder percorrer os lugares que Rosa descrevia.
Ele tinha o costume de "contar os enredos" dos livros atribuindo aos colegas da sala os personagens. "Esta nossa amiga aqui era apaixonada pelo moço loiro, aqui representado pelo fulano (outro colega da turma)". Claro que, para evitar reclamações dos pais dos alunos, os personagens "malditos", ele sempre os atribuia a mim. Assim fui prostituta, gigolô, bandido...e tudo que não prestava. Eramos amigos, em resumo.
Li o Grande Sertão na adolescência e me impactou muito. Percebi intuitivamente que ele tinha a ver com o Tao te King. "Ao se entender o significado de uma pedra, pode-se compreender o mundo". Ou seja, "o todo" está na "menor parte". Mire e veja.
Muitos anos depois descobri um autor, Francis Utéza, que pesquisou durante 15 anos para escrever "JGR: A Metafísica do Grande Sertão". Ali, ele mostrava que Guimarães Rosa, em um texto aparentemente camuflado em um romance regional, falava das grandes leis universais, com influências do Taoísmo, do Zen-Budismo, do Tarot,  simbolismo maçônico e, principalmente, da alquimia. Doutrinas e tradições que Rosa demonstrava conhecer e sobre as quais tinha livros em sua biblioteca pessoal. A trajetória do personagem Riobaldo seria o relato de alguém que alcançou a iluminação, ou o Nirvana, como dizem os budistas. Um guia para os que buscarem seguir seus caminhos estreitos, ou veredas. "Assim que: tosou-se, floreou-se! Ahã. Por isso dito, é que a ida para o Céu é demorada."
Fiz algumas palestras e escrevi a respeito disso. Até que um dia, voltando de Belo Horizonte, exatamente em Andrequicé, que faz parte hoje do chamado "Circuito Guimarães Rosa", vejo uma paisagem exatamente como as descritas no livro: "Lhe falo do Sertão. Do que não sei. Um grande sertão! Não sei. Ninguém ainda não sabe. Só umas raríssimas pessoas -e só essas poucas veredas, veredazinhas. O que muito lhe agradeço é a sua fineza de atenção". Claro, tive que registrar a foto com o celular. E de fazer minhas as palavras do Mestre. Aprendi isso com o Visconde de Sabugosa.

Yoga, Baby

19-BABILON, BABY

Acho que esta é minha foto preferida. Tinha 7 meses de idade. A pose confortável lembra a prática de yoga. Será que era?
Meus pais frequentavam a igreja Católica. Uma avó era espírita e a outra crente. Uma salada. Na adolescência cheguei até a ir em igreja Batista, mas confesso,  meu real interesse era por uma loirinha linda, que nem lembro mais o nome.
Já adulto, me interessei por outras filosofias/religiões/tradições. Tudo começou quando um colega de trabalho me apresentou o I Ching. Fiquei encantado com a cultura chinesa, como se me redescobrisse. Depois, curioso que sou, fui atrás do Tao te King, Hinduísmo, Budismo e Teosofia...além de tarot, astrologia e outras cositas boas.
Digo isso não para me justificar em "rótulos", mas para que entendam melhor minha "referência interna" quando afirmo no post anterior: "A inocência não-contaminada de meu filho me deu uma baita lição";  Tinha em mente o I Ching: "O homem recebeu do céu uma natureza essencialmente boa, para guiá-lo em todos os seus movimentos. Entregando-se ao princípio divino dentro de si, o homem alcança uma inocência incontaminada"  (Hexagrama 25, Inocência). Mesma ideia de "Quem segue o caminho do Tao, se identifica com o Tao" (Tao te King).
Assim, respeito outras tradições como a Kabala ou mesmo o cristianismo, apesar de que nunca me despertaram maiores interesses. Sinto que não são "a minha praia". E assim, a gente vai seguindo nosso caminho individual, que nos une ou não. O engraçado é que, meu filho ainda pequeno, jurava que era dele a fotinha lá em cima. Vai entender, né?

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Classe Medismo

18 -SOBRE NOSSOS TÚMULOS NASCERÃO FLORES AMARELAS E MEDROSAS

"Temporariamente não cantaremos o amor, que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos. Cantaremos apenas o medo, nosso pai e companheiro" (Carlos Drummond de Andrade)

Este trecho do poema de Drummond me acompanha há tempos. Usei-o como abertura de minha redação no vestibular da UnB. Isso, em 1982. Acho que me ajudou entrar na faculdade e vir morar em Brasília.
Mas ele me ajuda também a entender o nosso "classe medismo", este mal que nos assola, desde sempre. No fundo, somos medrosos. Receio de perder o emprego, os bens, o carro novo, as pessoas que gostamos...etc, que nos faz covardes, injustos e, às vezes, até violentos.
Meu filho era pequeno, devia ter uns 3 anos (na foto ele já estava com uns 10, nesta fantasia de carnaval, que não deixa de ser uma piada visual com nossos medos) e descia para brincar debaixo do bloco (típica tradição brasiliense). Um belo dia o vejo brincando com crianças sujas, que pareciam ser de rua. Lógico, fiquei preocupado. Ele tranquilamente me explicou que "eram seus amiguinhos".
Controlei meu classe-medismo (sempre excludente) e observei a situação. Ele dividia seus carrinhos e brinquedos, todos se divertiam, pacificamente. Como os outros "riquinhos" não os tratavam assim, os "meninos de rua protegiam" meu filho, ajudavam a guardar os brinquedos e se despediam amistosamente quando iam embora. A inocência não-contaminada de meu filho me deu uma baita lição.
Apesar de nos considerarmos "esclarecidos", "espiritualizados" ou "do bem", temos que ficar atentos ao nosso "classe medismo". Ele é uma merda, só nos atrapalha e nos torna infelizes. Aprendi isso com meu filho.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Do you wanna dance?

17-PARECE QUE FOI ONTEM. E FOI.

Começou ontem o Brasília MotoCapital. Lá eu encontrei um amigo, músico, que tocou nos teclados junto com o Celso Blues Boy, dois anos antes, neste mesmo evento.
Ele comentou até sobre a jaqueta laranja que teria emprestado ao Celso para o show. Lembrei que um pouco antes dele subir ao palco fui até o camarim e fiz esta foto com o celular. O sorriso amistoso dele era uma retribuição a cachaça que eu tinha ido lhe entregar. No dia anterior, também no evento, ele havia me pedido uma garrafa da tal cachaça feita na fazenda de minha família. Promessa cumprida e registrada em foto.
Ontem, meu amigo tecladista me deu informações mais detalhadas. Celso já estava doente, isso a gente já sabia. O cachecol não apenas protegia o frio, como também escondia o tumor que ele tinha no pescoço. A voz já não estava boa, a cachaça aliviava a garganta e ajudava-o a cantar. O show foi demais. O próprio tecladista comentou isso. Além de me confessar que, ao final, ele estava tonto. Entendi perfeitamente. Eu era uma das poucas pessoas na platéia que sabia exatamente o que ambos bebericavam nos intervalos das músicas.
Disse-me ainda que o Celso Blues Boy pretendia tocar aqui de novo no ano passado, mas infelizmente, faleceu antes. Então, este foi seu último show. Parece que foi ontem.
Enquanto a gente conversava,  rolava o show dos "The Fevers". Sim, aqueles mesmos, dos velhos sucessos. Depois de algum tempo parados, eles voltaram a tocar juntos exatamente aqui, no MotoCapital. Como diz a música deles: -"Eu perguntava do you wanna dance? E te abraçava do you wanna dance...um sonho a mais não faz mal"...

domingo, 21 de julho de 2013

O Pelé me salvou

16- SINUCA DE BICO

Com dezesseis anos a gente se acha. Eu matava aula com os amigos para jogar sinuca. Quando a gente chegava no boteco, umas 8 da matina, tinha sempre um negro baixo e forte por lá, tomando sua cerveja. Quieto no seu canto. A gente não sabia o nome dele, logo virou "o Pelé".
Eu era um dos melhores na sinuca, assim, não gastava dinheiro na mesa. Os perdedores pagavam as fichas.
Até que um dia o tal Pelé me falou: -"Você tá jogando direitinho, branco. Vamos jogar uma partida? Quem perder paga?" Lógico que topei. Quando ia começar o jogo ele completou: -"mas com você, só vou jogar com uma das mãos". Percebi ali que eu estava entrando numa fria, mas era tarde para desistir.
Joguei direitinho e perdi com 4 bolas na mesa. Ele matou as suas 7, sem usar a mão de apoiar o taco. Uma vergonha. Mas, bom cabrito não berra. Agradeci "a aula", paguei a ficha e sai de fininho do boteco. Agora eu sabia que não era tão craque como eu pensava que era.
Pois bem. Algum tempo depois, eu e um amigo resolvemos ir em um lugar que se chamava "Casa dos Artistas". Tocava samba e o povo dançava animado. Vi uma morena bonita e comecei a dançar por perto. Sorrisos, olhares, tudo ia bem, até que chegou um "suposto dono da morena" querendo tirar satisfação comigo. Olhando mais atentamente, percebi que eu e meu amigo eramos os únicos não afro-descendentes no local. Me vi numa autêntica sinuca de bico. Ia apanhar mais do que vaca na horta. Mas de repente, não sei de onde, aparece o tal Pelé, encosta no sujeito e diz apenas: "o branquinho é meu amigo".
O cara pediu desculpas, se afastou e sumiu de vista. Não faço a menor ideia de quem era o tal Pelé. Se sambista, jogador de futebol, traficante, matador ou simplesmente craque na sinuca. Mas sei que ele era meu amigo e salvou a minha pele. Nunca mais o vi. Mas, por via das dúvidas, também nunca mais voltei na "Casa dos Artistas". Melhor não contar com a sorte de novo, né? Coisas que aprendi na sinuca.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Conheci a Rê Bordosa

15- MORREU PRA VOCÊ, ORAS

Depois de "encher a lata", praticamente impossível não conhecer a rebordosa. Mas, não é desta que estou falando. Poderia ser então  "a personagem" criada pelo Angeli? Sim, poderia, diz o luso-descendente aqui. Mas além da figura dos quadrinhos, eu conheci uma "Regina", que por coincidência (?!?) foi a primeira esposa do Angeli, era, como posso dizer...um tanto "alternativa para os padrões de normalidade de nossa sociedade" e minha vizinha.
Isso aqui em Brasília, já tinha terminado a faculdade (ou estava no fim) e morava sozinho em um pequeno apto no fim da Asa Norte. A Regina dividia um apto com uma amiga minha de Ribeirão, que passou uns tempos por aqui. Em resumo, ficamos amigos.
Ela trabalhava com programação de computadores e depois soube, mudou-se com os filhos para uma chácara longe da cidade, sem eletricidade ou modernidades.
Uma vez, eu viajei em férias e deixei a chave do meu apto com a Rê. (Burro!) Quando voltei, lógico, parecia que tinha tido uma guerra naquele espaço pequeno. Mas, ela deixou um recado carinhoso em um livro que achou na estante: "Eu sabia que este seu humor tinha pai vivo". O livro em questão, chamava-se "Máximas e Mínimas do Barão de Itararé". Depois deste "elogio", relevei a bagunça e continuamos amigos.
Para encerrar, se alguém ainda tem dúvidas de que a Rê, ex-Angeli, seria mesmo a "musa" que inspirou a personagem, tenho a prova definitiva: Saindo do Beirute, depois de tomar umas tantas cervejas, nós dois mijamos no muro no fundo da quadra. AMBOS EM PÉ. Alguma dúvida, ainda?

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Macarrão com sushi

14-INTERNACIONAL INTERIOR

Terra roxa paulista, cercada pelos rios Grande, Pardo e Sapucaí. Sim, a vocação agrícola da cidade era inegável. Daí duas grandes colônias de trabalhadores rurais imigrantes eram comuns na região, os italianos e os japoneses. Se o Riobaldo, personagem do Grande Sertão: Veredas, dizia que o "Urucuia era o seu rio", o meu, é o Grande.
O melhor amigo de meu pai, companheiro de pescarias, era um italiano, casado com uma japonesa. O filho deles era um japinha esperto com sobrenome italiano. Um dia a mãe leva o garoto no médico e este tenta acertar a grafia do sobrenome escrevendo assim "Kahara". Mas não, era Carrara, mesmo.
Destas pescarias, antes do Rio Grande ter uma barragem para a hidrelétrica, lembro de ficar horas e horas apenas olhando a ponta da vara de pescar sobre as águas, esperando que alguma piapara ou mesmo lambari beliscasse. Nestas horas, a mente se aquieta e a gente não pensa em nada. Paz de espírito. Dizem os orientais que isso se chama meditação. Na época, eu não sabia.
Namorei algumas italianinhas e japinhas, se bem que as "mestiças" eram ainda mais bonitas. O resultado da combinação das duas colônias era exótica e muito interessante, tipo o design italiano com um tempero oriental. Acho que a  "máquina" da fotinha ilustra bem, né?

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Sim, fui Adotado

13-MINHA FAMÍLIA ITALIANA

Se tivesse que escolher uma única imagem para retratar minha infância seria esta, o balanço na mangueira na casa do Vaguinho. Eram nossos vizinhos quando nasci. Dizem que nossas mães, ambas nos esperando, proseavam barrigudas no portão. Eu nasci primeiro, em setembro. Ele em outubro. Diferença pouca.
Eu só tinha uma irmã, 5 anos mais velha. Ele era o 3º filho do seu Orlando Maríngolo e da dona Ilda. Tinha um casal de irmãos mais velhos, o Valter e a Vilma. Depois veio a Vaninha, a caçula.
No quintal da casa deles tinha uma grande mangueira. E nela, um balanço. Acho que ficava mais lá, com eles, do que na minha própria casa. Fomos juntos para o primeiro dia na escola, alunos da dona Irma, outra grande amiga de nossas mães.
Estudamos juntos, na mesma sala, até a 5º série. Na 6º eu me mudei e fui para Ribeirão. Mas, continuamos amigos;Não me lembro de termos nos zangado um com o outro nestes anos todos. Nas férias de julho e dezembro eu sempre ia para Guaíra e ficava na casa deles. A dona Ilda dizia que  "a minha cama" estava sempre pronta no quarto do Vagner, ao lado da dele. Na adolescência, eu era uma "criança" para sair em Ribeirão. Já em Guaíra não, a cidade era menor, a gente ia nas boates no Grêmio e arrumava as primeiras namoradas. Logo, sempre que podia eu ia pra lá, lógico.
No meio dos "italianinhos", eu era o "filho preto". Sim, eu fui "adotado" por eles. Uma família barulhenta, que discutia em todas as refeições, mas unidos como ninguém. Quando tinha 18 anos, chegando lá em Guaíra, a Vilma nos levava ao clube de campo e um caminhão acertou o carro. Até hoje tenho a cicatriz no meu olho esquerdo, foram 10 pontos. O Valter, o mais velho, foi o primeiro a se casar. Eu fui até Santos para ser padrinho em seu casamento. Ele me disse que os "padrinhos eram todos da família". Já seu Orlando, ex-camioneiro e dono de máquina de beneficiar arroz, me falava desaforos, que, segundo meu pai, se viessem de qualquer outra pessoa eu nunca mais olharia na cara. Só que, logo depois estávamos gargalhando ou tomando cerveja juntos. Era um grande coração.
Assim, prestes a completar 50 anos, eu posso dizer que tenho sim um irmão, amigo há 50 anos, o Vaguinho. Agora ele mora nos estranja, em Bruxelas. Mas, já foi convidado para minha festa de aniversário. Se puder vir, sabe que a nossa casa também será sempre a casa dele. Claro, né? Família é família. Aprendi isso com os italianos.

Tempos inocentes

12-YANKEES AT HOME

Entre os registros dos anos 60/70 estavam a coleção das revistas "Seleções", que em casa, eramos assinantes. Quando meu pai se mudou para o sítio, lembro que a estante guardava exemplares de vários anos deste período. Lidas nos dias de hoje se tornariam ainda mais engraçadas. Vendiam o "american way of life". No print acima, de 1958, informa ter a maior circulação mundial: "20 milhões de exemplares em 13 línguas". Era a época da chamada "Guerra Fria", demonizando o "inimigo comunista" e divulgando os "valores da família americana". Não por acaso, a seção de humor tinha o sugestivo nome de "Piadas de Caserna". Sim, vale lembrar que os militares estavam no poder por aqui e em vários outros países latino-americanos.
Mas, para mim, particularmente, o melhor eram os anúncios, pré-Procon ou pré-Conar. A começar pelo lay-out com ilustrações hoje chamadas de "vintage" ou pelos textos, de uma lógica absurda. Lembro de um, da coca cola, que afirmava que "era natural, pois utilizava-se de água filtrada em sua fabricação". Assim, carros, calças farwest (hoje conhecidas por jeans), eletrodomésticos e outros produtos de origem norte-americana passaram a ser "desejados" por consumidores do mundo inteiro. Em textos (mal) traduzidos, para 13 idiomas, como diziam.
Cheguei até a pensar em utilizar esta coleção antiga como material de pesquisa para um possível Mestrado em Comunicação (que não fiz), analisando o conteúdo dos anúncios no período. Acho que seria divertido. Não sei onde foram parar estas revistas que estavam lá no sítio. Talvez tenham ido para o lixo. 
Até pouco tempo parece que existia a tal revista. Agora, claro, com menos popularidade e usando promoções duvidosas quanto a sua honestidade: "Você foi escolhido para ganhar um carro zero km. Assine a revista e saiba como"... Santa ingenuidade, né?


domingo, 7 de julho de 2013

Ladeira abaixo

11-GO, SPEED.

Acho que foi aos 7 anos que nos mudamos da rua 13, para a casa da rua 16. Ainda na 13, um quarteirão abaixo de casa começava uma ladeira que só ia terminar em uma curva, onde passava um riacho, uns 500 metros depois.
Minha diversão, depois do velocípede, foi um carrinho de rolimã. Felizmente, a cidade era pequena, nenhum carro nunca me encontrou em uma esquina, porque ladeira abaixo a velocidade do meu "bólido" era razoável. Depois que nos mudamos para a 16, já um pouco maior, eu mesmo cortava as madeiras e "incrementava" meu carrinho de rolimã. Pintei toda a madeira na cor branca e coloquei o nº 11 nele. Não sei porque, mas eu considerava o "meu número de sorte". Aconteceu também algumas vezes de ser o meu número na chamada da escola.
Quando fiz 18 anos, ganhei uma moto e pouco tempo depois já queria trocar ela por uma trail, só para participar de um campeonato de motocross. Meu pai ameaçou me internar em um hospício, abortando meus planos. Assim, minha brilhante carreira de piloto de corridas ficou mesmo no carrinho de rolimã n.º 11.